Dessa maneira, explico que o trabalho como princípio educativo é aquele o qual evitará, por exemplo, que pessoas lavem suas calçadas com água potável e, ainda, permitirá que elas desenvolvam qualquer tipo de tecnologia social em benefício de uma comunidade. Mas como isso pode ocorrer? Talvez o catavento de celofane seja um dos meios. Contudo, o que faz a diferença é o propósito. Afinal, agregar trabalho e ensino serve para permitir independência e transformação, ou seja, o catavento poderá significar energia em um futuro próximo, desde que o aprendiz o faça com uma relação sólida, ideológica e física entre o estudo, o desenvolvimento humano e a evolução coletiva; não esquecendo as descobertas tecnológicas, as funções econômicas, bem como, a inclusão das minorias.
Realizar o que está descrito acima é tarefa complexa, mas não apenas por uma questão de aplicabilidade. O empecilho maior está na cultura hegemônica, totalmente voltada para educação do tamborete e da dependência política. No entanto, neste post, não vou entrar no mérito grasmiciano da construção de uma nova escola para alcançar um modelo social mais integro e justo. O que posso fazer, por enquanto, é constatar que muitas tarefas escolares são imprestáveis socialmente, porque o trabalho, que é o destino do homem comum, está dissociado dos modos de aprendizagem. Além disso, posso citar um fato: toda essa situação é risível, pois, depois de ler a análise de Makarenko, nunca mais consegui olhar para um chinelo enfeitado de macarrão, uma caixinha de papel ou um bloco de anotação cheio de glitter sem pensar que esses artefatos representam apenas sombras daquilo que poderia ser verdadeiros protótipos de utilidade e inovação.
Realizar o que está descrito acima é tarefa complexa, mas não apenas por uma questão de aplicabilidade. O empecilho maior está na cultura hegemônica, totalmente voltada para educação do tamborete e da dependência política. No entanto, neste post, não vou entrar no mérito grasmiciano da construção de uma nova escola para alcançar um modelo social mais integro e justo. O que posso fazer, por enquanto, é constatar que muitas tarefas escolares são imprestáveis socialmente, porque o trabalho, que é o destino do homem comum, está dissociado dos modos de aprendizagem. Além disso, posso citar um fato: toda essa situação é risível, pois, depois de ler a análise de Makarenko, nunca mais consegui olhar para um chinelo enfeitado de macarrão, uma caixinha de papel ou um bloco de anotação cheio de glitter sem pensar que esses artefatos representam apenas sombras daquilo que poderia ser verdadeiros protótipos de utilidade e inovação.


Angélica, marquei "engraçado" como reação porque me lembrei da nossa conversa de intervalo - que normalmente, meus alunos não chamariam isso de aula... Eles falariam ao final " Hoje não teve aula, só fizemos umas lembrancinhas." Aqui, poderiam até dizer que eles não conseguem enxergar além. No entanto, partindo do seu post, eles estariam corretos, considerando que o trabalho está dissociado dos modos de aprendizagem. De fato quando o trabalho desenvolvido na escola se conecta com a necessidade social, agregando trabalho e ensino com uma relação sólida, ideológica e física entre o estudo, o desenvolvimento humano e a evolução coletiva acontece a educação que tanto almejamos.
ResponderExcluirAngélica, reflexão certeira que retrata o quanto estamos distantes de uma escola que agregue trabalho e ensino. Adotar o trabalho como princípio educativo desde a mais tenra idade viabilizaria a formação de indivíduos capazes de transformar a sua realidade, abandonando a total apatia diante das mudanças históricas, culturais e sociais nas quais estão inseridos.
ResponderExcluirAngélica, cada vez mais me torno seu fã, as formas em que você percebe as coisas é muito perspicaz, a maneira na qual você coloca é sempre acompanhada da verdade, nua, crua e bem humorada.
ResponderExcluirToda sua exposição me faz rememorar meus tempos de ensino fundamental e me fez compreender que naqueles benditos cataventos eu deixei de aprender a relação com a matemática e a física, tudo se resumia em recortar por cima dos pontilhados e dobrar utilizando a mesma técnica, talvez isso tenha ao menos me dado alguma habilidade manual, o que faltou foi o complemento intelectual que certamente tornaria toda aquela experiencia mais rica e sábia.
Excelente texto!! Nos remete a reflexões que necessitamos realmente dispor de um tempinho que seja para realizar..Teoria e prática tem que andar de mãos dadas, se assim não for, incorremos no grande risco de perder muito aprendizado pelo caminho.
ResponderExcluirSem dúvida, esta é uma boa reflexão! Vejo na EPT, principalmente nos IFs, que o que você chama de "protótipo de utilidade e inovação" são constantes. Mas, isso é o esperado! Fora da EPT, eu vejo que esta educação para as habilidades manuais não é exatamente pensada, planejada ou programada dentro currículo e acaba sendo o resultado da iniciativa individual de cada professor.
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