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2° Fichamento - Cinema e Método

A Dissertação que apresento a seguir é um elogio ao método. Traz um roteiro didático para trabalhar as socioemoções por meio do cinema. Pena que o cinema em sí não foi o foco do trabalho. Mas valeu a leitura, porque o protótipo apresentado é útil e organizado.


Está inserido nas áreas da psicologia e da educação.
Metodologia: pesquisa qualitativa.
Base metodológica para a investigação: pesquisa ação estratégica (planejamento da ação para aplicação posterior). Utilizou-se o Ciclo de atividades da pesquisa-ação de acordo com Sandín Esteban.
Coleta de dados: técnicas de grupo focal e roda de conversa. Ações baseadas nas competências socioemocionais, utilizando os Cinco Grandes Domínios da Personalidade (Big Five)". 
Objetivo geral: investigar o uso do cinema como recurso tecnológico viável para a promoção do desenvolvimento de competências socioemocionais, a fim de contribuir para o itinerário formativo dos alunos do ensino médio do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Amazonas (IFAM), Campus Manaus – Distrito Industrial (CMDI). 
Objetivos Específicos: viabilizar o desenvolvimento de competências socioemocionais em alunos do IFAM por meio do cinema; permitir que o aluno tenha consciência das competências socioemocionais em sua formação; elaborar material didático para que os professores repliquem o projeto.
Motivação: percepção do interesse dos alunos em manifestar suas emoções durante e após a aula de língua inglesa. Constatou-se que o desenvolvimento socioemocional é tão necessário quanto o cognitivo. 
Inclui breve histórico do uso de imagens pela humanidade (das pinturas rupestres, passando pela fotografia até chegar ao cinema enquanto arte, indústria, entretenimento e conteúdo educativo).
Contém história do cinema educativo no Brasil, incluindo legislação, e uso deste como recurso pedagógico para o ensino científico, geográfico, histórico, artístico e até moral (no período getulista e militar).
Problematiza o uso do cinema educacional pelo professor, deste exige vontade e preparação para utilização desse recurso visual. Explicita que, muitas vezes, o professor não enxerga a necessidade de seu uso para inclusão social e problematização da realidade, vendo o recurso apenas como mero entretenimento.
Abrange pequena descrição terminológica. 
Problematiza fatores que impossibilitam o cinema como ferramenta pedagógica e supervaloriza o uso do livro (reconhecido com grande instrumento intelectual). Crítica ao tradicionalismo no ensino.
Discorre sobre a importância do cinema em espaço educativos, principalmente devido a linguagem presente no cotidiano dos alunos.
Descreve o Projeto “Cinema em Foco: a sétima arte na escola”, realizado no município de Coari, interior do Amazonas. A ideia é desmitificar o cinema como entretenimento.
Descreve alguns fatores que dificultam a utilização da ferramenta: a ausência de debate sobre o assunto, falta de entendimento da técnica, falta de habilidade para contextualizar o filme ao conteúdo. A própria LDB, pois permite apenas filmes nacionais. 
Recomenda utilizar os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) para escolher filmes relacionados a educação.
Cita a imagem como parte do cotidiano e enumera os porquês da utilização do cinema na educação sociemocional. Reforça a importância do planejamento na transmissão e escolha desse tipo de conteúdo.
Compara a vivencia do aluno como compatível com as histórias fílmicas. Ressalta o papel do professor como intermediador.
Cita Procedimentos práticos: respeito a classificação indicativa; ressignificação do filme quando este não for feito para o ambiente escolar; conhecer a cultura cinematográfica do aluno; respeitar valores morais, culturais e religiosos. 
Detalha fases do planejamento e relata situações inapropriadas para uso do filme. Cabe ao professor introduzir e refinar o gosto pelo cinema, bem como, considerar as informações próprias do espectador.
Apresenta iniciativas de uso do cinema no aprendizado e no desenvolvimento do senso crítico. Dissertações citadas:
  1. “O Cinema vai à escola, 2008”, contém tabela com relatos positivos dos professores participantes do projeto; 
  2. “O Cinema como Tecnologia Educacional: Contribuições Para a Educação Ambiental”, inclui tabela e roteiro didático sobre como utilizar filmes ou cenas em sala de aula; 
  3. "Filmes Em Sala De Aula – Realidade e Ficção: Uma análise do uso do cinema pelos professores de história"; 
  4. “A Física Dos Filmes De Hollywood: Seria Esta Uma Fonte Segura De Conhecimento?”, inclui quadro que mostra o uso da ciência, de forma errada ou não, nos filmes de ficção.
Contém quadro cronológico / histórico da inteligência emocional.
Defini o que é um ser com inteligência emocional, a luz dos conceitos de Elias e Goleman.
Justifica a inclusão da inteligência emocional no itinerário escolar. Para isso apresenta fatores de risco e os fatores de proteção; demonstra que tanto os alunos como professores são beneficiados pelo processo de treinar a emoção, tal se faz com a razão. 
Assinala que a escola precisa incluir a formação emocional, pois, os alunos não deixam seu problemas pessoais em casa.
Apresenta o processo de desenvolvimento da inteligência emocional por meio da cognição. Associa que o desenvolvimento do caráter é necessário para formação do cidadão.
Problematiza a necessidade do desenvolvimento emocional para formação completa do indivíduo, inclusive no que se refere ao mercado de trabalho.
Acrescenta que o cinema é uma forma  envolvente e interessante de trabalhar o emocional, porém, cabe a escola desenvolver meios para essa didática.
Destaca a importância do desenvolvimento do aluno em todas as fases do projeto. 
Define e justifica a teoria Big five e demonstra como foi sua aplicação.
Descreve e problematiza a utilização do cinema no âmbito do desenvolvimento emocional.
Destaca os itens escolares considerados na pesquisa: o rendimento acadêmico; a personalidade definida pela técnica big five; o comportamento do aluno no âmbito escolar.
Estipula o público alvo: voluntários do segundo ano do ensino médio do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Amazonas, Campus Manaus – Distrito Industrial.
Apresenta descrição dos procedimentos metodológicos: diagnóstico por questionário; pesquisa de filmes em sites de autoajuda, coaching e negócios; cruzamento de dados; opinião do alunos a partir do resultado; planejamento para exibição (sessão didática), registro da roda de conversa. 
Inclui quadro com o roteiro da sessão didática.
Contém informações completas sobre a sessão didática e a coleta de dados, incluindo situações fora do roteiro.
Possui descrição detalhada dos resultados da sessão didática e a relação com o Big five, ou seja, as competências socioemocionais, incluindo a análise das transcrições da roda de conversa. 
Acrescenta que a mensagem positiva e reflexiva transmitida pelo filme foi compreendida pelos alunos, ou seja, o cinema cumpriu o papel sensibilizador esperado para o projeto. No entanto, foi necessário criar um clima para conquistar a confiança dos participantes. 
Acrescenta que existe frustração quando o filme é exibido apenas para o entretenimento, ou seja, sem planejamento ou proposta didática.
Estipula a quantidade de alunos ideal para o projeto: 15.
Conclui que os objetivos foram alcançados, pois a pesquisa deixou, como produto, um roteiro de sucesso para implementação da sessão didática fílmica com foco no desenvolvimento socioemocional. Além disso, a pesquisadora comprovou que o cinema funciona no âmbito educacional socioemocional e que foi possível ensinar os alunos a ver o filme, ler nas entrelinhas. Expõe as seguintes expectativas relacionadas ao IFAM: que esta escola desenvolva a educação socioemocional e utilize o cinema como recurso didático.
Contribui para minha pesquisa porque demonstra um roteiro válido para implantação de um projeto relacionado ao cinema dentro de uma escola de educação profissional. A percepção do cinema fora do entretenimento também é interessante e atrativa. No entanto e apesar da enfase no afeto, meu foco de pesquisa não abrange aspectos relacionados diretamente a Psicologia e a educação socioemocional. Nesse sentido, não me atende diretamente, em especial, porque não inclui grandes problematizações sobre os filmes utilizados no trabalho.

A análise dessa dissertação pode ser acessada aqui.

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