Pular para o conteúdo principal

Pesquisa Quantitativa e Qualitativa

Pessoal, compartilho com vocês um resumo bastante esclarecedor sobre os tipos de pesquisa. 

"As pesquisas quantitativas podem ter objetivos muito diferentes: há as que pretendem explicar complexos processos sociais por meio de sofisticados modelos estatísticos – ou, pelo menos, produzir alguma evidência empírica em favor de uma teoria – e há aquelas que visam apenas a desbravar, com conceitos de uso corrente, um acontecimento novo ou um terreno relativamente pouco explorado (TAVARES; JÚNIOR; MELO, 2004, p.216).
As pesquisas qualitativas possuem uma "[...] ênfase interacionista simbólica na compreensão da forma como um conjunto de pessoas, numa determinada situação, dá sentido ao que lhes está a acontecer, encorajando uma compreensão empática dos diferentes pontos de vista (BOGDAN; BIKLEN, 1994, p.291)".
Em termos históricos e internacionais, o pensamento científico e a pesquisa em educação passaram por muitas mudanças consequência das mudanças sociais, históricas e culturais da sociedade. Até a primeira metade do século XIX, era muito forte a tendência das investigações buscarem explicações para a realidade por meio de uma ciência objetiva e experimental. Todavia, quando o homem começou a procurar justificativas para fenômenos que não se manifestam na realidade objetiva, mas, sim, em relações sociais, representações sociais, crenças, valores, na subjetividade humana etc., ele percebeu a necessidade de buscar outros referenciais para explicar a mesma realidade.
Assim, a abordagem da pesquisa qualitativa surgiu no final do referido século, quando predominava a perspectiva positivista do conhecimento que, privilegiando a razão analítica, tinha como preocupação fundamental a precisão e a objetividade, em relação ao objeto investigado. Na época, a visão positivista passou a sofrer contestações de várias naturezas, a exemplo do argumento de o método de investigação das ciências físicas e naturais vir sendo adotado, até então, como modelo também para o estudo dos fenômenos humanos e sociais.
Foi nesse contexto internacional que o campo da pesquisa centrada na quantificação passou a não mais responder adequadamente aos problemas da sociedade. Isso ocorreu porque outros parâmetros e pressupostos começaram a orientar a reflexão e análise dos fenômenos que não poderiam ser medidos ou controlados nos mesmos padrões que norteavam a realização da pesquisa pelo modelo quantitativo. Em decorrência dos limites desse modelo, instalou-se e passou a ganhar força, nas ciências socais e humanas, a pesquisa qualitativa.
A abordagem qualitativa apresenta-se, a partir de então, como uma alternativa que tem suas bases na interpretação, na descoberta, na valorização da indução e, sobretudo, na consideração de que fatos e valores mostram-se, em qualquer pesquisa, intimamente relacionados. Sob essa lógica, o pesquisador tem interesse em investigar processos para saber como os indivíduos percebem e interpretam os fenômenos inseridos em certos contextos (ANDRÉ, 1995). Por isso, como você já deve ter notado, a principal característica das pesquisas qualitativas é sua natureza compreensiva ou interpretativa.
A pesquisa qualitativa tem como preocupação primordial a obtenção de dados e informações que concorram para retratar o ponto de vista dos sujeitos a respeito de um fenômeno, o que pressupõe contato direto do investigador com o ambiente pesquisado.
Quando falamos em pesquisa qualitativa, no entanto, é preciso ter em mente que há vários tipos de pesquisa que podem ser desenvolvidos nessa modalidade, por exemplo: história de vida; pesquisa participante; pesquisa-ação; pesquisas fenomenológicas; estudo de caso; e pesquisa etnográfica/antropológica.
Vamos falar de dois instrumentos para as pesquisas qualitativas. Primeiro, descreveremos o Protocolo de Observação. É um instrumento importante para a coleta de dados e registro de dados em pesquisas qualitativas que possibilita a descrição de fatos do cotidiano: aulas desenvolvidas, conversas, comportamentos, manifestações em geral etc. Para utilizá-lo, é fundamental registrar somente os fatos observados, e não os julgamentos do pesquisador.
Há vários motivos para apresentarmos aqui esse instrumento para o registro e fichamento de estudos. Todavia, destacamos aquele que se refere à possibilidade de você, como acadêmico, desenvolver atividades de observação da realidade pedagógica. Daí a relevância de conhecer um instrumento de registro que permita coletar dados passíveis de utilização em momentos diversos, para subsidiar pesquisas educacionais.
A observação é um método de pesquisa que possibilita a proximidade do investigador com o objeto. Ela pode, por exemplo, ser utilizada em pesquisas para subsidiar a compreensão de determinadas questões apresentadas pelos sujeitos selecionados durante a realização de entrevistas. Nesse sentido, é importante observar, por exemplo, a escola pesquisada, ainda que informalmente, com o intuito de detectar situações cotidianas que levem a um entendimento mais claro do objeto.
Outro instrumento é o diário de bordo. É uma alternativa que recomendamos para fichamentos e registros de conteúdos e de pesquisa, que pode salientar importantes aspectos da realidade investigada. Os diários de campo são úteis para registrar diversos aspectos do cotidiano escolar."


Fonte: 


UNIVERSIDADE CATÓLICA DE BRASÍLIA. Universidade Católica de Brasília Virtual. Núcleo de Formação Básica das Licenciaturas. Fundamentos da Docência. A filosofia e a pesquisa em educação sobre os processos de aprendizagem escolar. Brasília, DF: Universidade Católica de Brasília, 2016.

Comentários

  1. Bacana Angélica sua publicação. Para nós estudantes na fase inicial de Mestrado é imprescindível entender, dominar e implementar tipos de pesquisa alinhado as metodologias.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Aproveito para recomendar o excelente resumo sobre Procedimentos de pesquisa feito por você, Cyntia:

      https://eptservicosocial.blogspot.com/2018/10/procedimentos-de-pesquisa.html

      Excluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Os Tamboretes da Educação

J á pararam para pensar que a educação para habilidades manuais na maioria das escolas, públicas ou particulares, é exatamente igual ao tamborete indeferido na União Soviética? Se é dias das mães, as crianças voltam ao seus lares portando um catavento de celofane no palito e uma mensagem do comercial da Avon. Olha gente, até que é bonitinho. Além disso, tenho certeza que para o aluno é muito mais divertido ter uma tarde lúdica do que aprender frações no formato de uma pizza ilustrada em um livro nada comestível. No entanto, o trabalho desenvolvido na escola apenas para terapia e afeto está desconectado da verdadeira necessidade social incumbida a educação. E tem mais, a minha analogia ao tamborete não tem o intuito de chacotear o professor que planejou o momento vivencial, muito menos subestimar a capacidade criadora de uma criança. Porém, tal analogia tem a intenção de demonstrar que o trabalho associado a aprendizagem tem fins mais interessantes que lembrancinhas em datas come...

1° Fichamento - Escola, Prisão, Cinema

Foi muito interessante fazer a ficha de leitura de um trabalho sobre o cineclube de uma escola prisional. O tema não casa diretamente com a minha intenção de projeto, mas não ler, seria ter a minha curiosidade tolida. Então li, gostei e trouxe a foto e o link do filme " Os incompreendidos ", o qual faz um paralelo engraçado entre a Escola e o reformatório, além de nos dar um vislumbre do cinema como diversão. Após a foto, posto também o primeiro dos meus três fichamentos.  Martinez, A. B. P. C. "É aula ou filme, professora?" : prismas do cineclube em uma escola prisional. Dissertação (Mestrado em Educação, Cultura e Comunicação em Periferias Urbanas) - Faculdade de Educação da Baixada Fluminense, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2014. 76 p. Insere-se nos seguintes campos: arte, cultura e sociedade. Utiliza técnicas de pesquisa qualitativa por meio do método de observação. Os registros compreendem o relato de uma experiência profissional e pessoal,...

O memorial corajoso de Veruska

Bom. Não sei vocês, mas eu fiquei bem receosa de escrever um memorial lírico como o da professora Veruska. Enquanto ouvia o relato pensava: "ai-aiai-aiai... no mestrado acadêmico nós escrevemos tudo que os orientadores querem ouvir e pronto, a nota está garantida. Daí agora terei que expor minha conturbada trajetória escolar, profissional e acadêmica?" Não é a toa que o debate em sala quase se tornou um confessionário de preocupações. Nele teve de tudo um pouco: desde palmadas do irmão mais velho que, curiosamente, resultaram em um garoto leitor, até um texto do Samuel Beckett exposto em uma página amarelada, revelando assim uma memória carinhosa. Na verdade, tudo aquilo acontecendo e eu pensava: "quanta coragem para lembrar. Será que eu consigo me safar de cavar o passado?" Descobri que não, mas, honestamente, até gostei. Vai ser mais fácil, porque a pessoalidade, tal nos mostra o filme "Brilho eterno de uma mente sem lembranças", é a melhor aliada da ...