Primeiro: me empolguei com a seguinte leitura:
HARVEY, D. O capital vai ao trabalho. In. _______. O enigma do capital: e as crises do capitalismo. São Paulo: Boitempo, 2011.
Segundo: lembrei de outra muito legal que fiz a algum tempo.
DUSSEL, E. Direitos humanos e ética da libertação: pretensão política dejustiça e a luta pelo reconhecimento dos novos direitos. In. REVISTA Insurgência, Brasília, ano 1, v. 1, n.1, jan./jun. 2015.
Terceiro: escrevi uma reflexão sobre uns poucos pontos desses textos.
O geografo David Harvey traz o Marxismo para questões muitas vezes insolúveis no mundo globalizado. Uma dessas questões é a pobreza em um sistema econômico bastante eficiente quando o assunto é produzir fortuna. Dessa maneira, o geografo se desvirtua da ética maniqueísta quando o assunto é desigualdade social, poupando seus leitores de explicações conformistas e vagas, como aquelas frases famosas e clichês: "A culpa é da ganância do homem" ou “A desigualdade é inerente ao ser humano”. Apresenta-se então alguns pontos de Harvey que trazem análises importantes sobre a globalização e o desrespeito a dignidade humana.
A trajetória evolutiva do capitalismo demonstra que o controle do trabalho é a grande desculpa, mas não a finalidade para que os direitos humanos sejam desrespeitados. Isso quer dizer que submeter os homens ao sistema escravista ou a jornadas longas e miseráveis são coerções que tem o seguinte objetivo: retirar do trabalhador a autoridade de seu trabalho para que este seja comandado pelos interesses do capital. Isso tudo porque o trabalho é o elemento mais útil do capitalismo, sem ele a produção, simplesmente, para. A desigualdade social, dessa forma, é um dos elementos que tornam os humanos vulneráveis e, portanto, suscetíveis a venderem sua força de trabalho mesmo em condições sub-humanas.
Quanto a globalização, percebe-se que, por mais que o mundo esteja integrado, existem hierarquias raciais, culturais, econômicas e de gênero que são constantemente reforçadas com a função de naturalizar a exploração do diferente e oprimido, fragilizando, por sua vez, qualquer espécie de solidariedade social (Harvey, 2011, p. 90). Dessa forma, as práticas de produção e sua lógica hierárquica, naturalizadas em comércios, empresas e fábricas, mantêm o trabalho lucrativo a todo vapor, enquanto os direitos humanos tornam-se privilégios de grupos segmentados, ou seja, não estendidos a corpos estranhos. Essa situação pode ser exemplificada com a questão dos imigrantes sírios espalhados pelo mundo.
Diante da explanação sobre as ideias de Harvey pergunta-se: qual a estratégia para que os direitos humanos se sobressaiam a lógica capitalista? A resposta está de novo na evolução histórica do capital. De acordo com Dussel (2015) os sem direito são vítimas das gerações anteriores que não tem seus direitos legitimados e, portanto, lutam para que o presente se modifique. Dessa maneira, percebemos que os direitos são históricos, o que explica, por exemplo, a ilegalidade da escravidão e a educação básica gratuita para crianças pobres brasileiras nos dias de hoje. Com isso, a lógica capital de exploração do trabalho poderá ser superada quando a classe explorada perceber o problema e reivindicar o resgate do trabalho como criação e não como objeto alheio. Não é uma tarefa fácil, mas o caminho está (mesmo considerando as reviravoltas do capital) na própria exploração, pois, sendo difícil de aturar é insustentável e, por isso, passível de revoltas que geram mudanças. Considerando essa constatação, termino essa análise com frases conformistas e clichês: Não seria melhor abusar menos dos pobres para ter, para sempre, o trabalho ao seu dispor? O capitalismo é mesmo o rei das contradições!
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| Fotografa. Vivian Maier. 1954. New York, NY |

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